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Grupo Veloci traça ambição de triplicar faturamento até 2030 com negócios

O Grupo Veloci, controlador da Stock Car e maior conglomerado de automobilismo da América do Sul, planeja triplicar seu faturamento até 2030 através de compras de categorias concorrentes e internalização de serviços.

Publicado em 6 min de leitura
Ambiente de corrida em circuito com estrutura de pista e infraestrutura de eventos de automobilismo
Foto: Reprodução/UOLVer na fonte

Dono da Stock Car e maior conglomerado de automobilismo da América do Sul, o Grupo Veloci projeta triplicar seu faturamento até 2030 ao apostar em combinações tradicionais, como a compra de categorias concorrentes, e em abordagens pouco convencionais para o setor de esportes motorizados, como trazer para a própria empresa serviços que antes eram contratados de terceiros.

Nos fins de semana de competição, o plano de Lincoln Oliveira, presidente executivo do grupo, é criar uma plataforma que facilite a geração de negócios entre os patrocinadores e as empresas que atuam como parceiras. Enquanto para o fã de automobilismo a corrida constitui o centro de toda a operação, para Oliveira ela funciona como um meio, não como um fim.

"A paixão coloca o carro na pista, mas são os negócios que mantêm ele na pista. Você não tem como criar um evento grandioso, um evento que seja cada vez maior, que as pessoas consigam se tornar mais profissionais, seja mecânicos, equipes, se você não tiver negócios envolvidos", afirma Oliveira, que é pai do piloto Gabriel Bortoleto, único brasileiro na Fórmula 1 atualmente.

Essa percepção do automobilismo visto de dentro resume a lógica que fundamenta escolhas que vão desde a aquisição de um campeonato até a separação interna na organização entre a área responsável pelo produto esportivo e a responsável pelo produto comercial.

O grupo pretende anunciar ainda neste mês a aquisição do campeonato Ultimate Drift, criado pelo piloto João Barion. Oliveira não divulga o preço pago, porém acredita que, se todo o processo de verificação for bem-sucedido, em breve o campeonato integrará o portfólio da Veloci —que atualmente controla, além da Stock Car Pro e Light, a Fórmula 4 Brasil, Turismo Nacional, TCR Brasil e TCR South America.

O público que a modalidade conseguiu atrair nos últimos anos valida a aposta em drift. Em agosto, na etapa de Ribeirão Preto (SP), mais de 20 mil pessoas estiveram presentes acompanhando as corridas do fim de semana e, conforme relata o presidente da Veloci, torceram com a intensidade de um jogo de futebol.

Neste ano, as seis categorias sob controle do grupo devem fechar o ano com um faturamento de R$ 230 milhões, montante aproximadamente 30% maior do que o auferido em 2025.

Para manter esse aumento, o grupo tem absorvido internamente operações que anteriormente eram terceirizadas a cada competição, como geradores, estruturas de metal e prestação de serviços de telecomunicação.

De acordo com Oliveira, já que toda a infraestrutura é usada ao longo de toda a temporada e durante vários anos, adquirir em vez de locar amplia o lucro do negócio.

Os investimentos mencionados incluem um painel de LED com 120 metros instalado no pódio, a construção da denominada "sala de resfriamento", espaço reservado aos pilotos logo após o encerramento da corrida, e um trailer de 23 metros que funciona como centro de gerenciamento de prova e comanda mais de 180 câmeras empregadas pela CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo) para monitoramento instantâneo.

À política de integração vertical, acrescenta-se ainda a abertura de novos fluxos de receita dentro do próprio evento, como pontos de venda de artigos temáticos e atividades pagas, entre elas as chamadas "voltas rápidas" ao lado de competidores profissionais ofertadas aos convidados de patrocinadores. No próximo ano, virá a novidade com corridas de rua no período matinal fazendo proveito do autódromo como um ativo subutilizado fora do período de competições.

"A gente vai fazer isso em todas as categorias para atrair ainda mais os patrocinadores, criar espaços novos como lounges VIP para poder fazer geração de negócio B2B e B2C [entre empresas e consumidores], organizar exposição para os nossos patrocinadores, para as montadoras levarem os carros, fazer feirão dentro do evento, e até corrida de rua", explica Oliveira.

Em 2025, o grupo obteve retorno publicitário de R$ 2 bilhões, e o cálculo aponta para uma ampliação de 19% em 2026. Esse indicador reflete o valor equivalente que marcas de patrocinadores conseguem gerar por meio da exposição nos eventos.

Parte da tática passa pela reorganização do espaço de publicidade dentro do autódromo. Ao invés de fragmentar cada seção da pista entre diversos anunciantes, o grupo passou a estruturar áreas exclusivas para cada marca —como o S do Senna, conhecido como a zona com maior retorno de exposição no autódromo de Interlagos, que será reservado ao Bradesco, patrocinador principal da Stock Car.

Conforme salienta o executivo, esse formato segue um padrão já adotado na Fórmula 1 e é desenvolvido com auxílio técnico do Ibope.

Competições especiais no calendário também funcionam como atrativos da modalidade, como a Corrida do Milhão, a etapa da Stock Car Endurance, com duração de duas horas e rodízio de duplas a cada equipe ao longo da prova, e a decisão final no autódromo de Interlagos.

[H2] Conheça o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto

No próximo ano, a Stock terá um programa inspirado no modelo "Drive to Survive", série transmitida pela Netflix que apresenta os bastidores da Fórmula 1 e é creditada como um dos fatores do crescimento da categoria nos últimos anos.

A intenção da Veloci é registrar a história de pilotos em desenvolvimento na Stock Light e na TCR, que serão treinados na chamada Academia da Stock Car. O registro audiovisual já começou e pretende mostrar a evolução dos campeões das duas categorias na série principal, o dia a dia das escolhas estratégicas e a relação com atletas mais experientes.

O propósito da academia resolve duas questões centrais. A primeira é assegurar que os iniciantes avancem para categorias superiores com uma bolsa integral, permitindo que foquem exclusivamente na competição.

A segunda é aquela que garante o futuro do esporte: capacitar profissionais especializados, particularmente mecânicos, engenheiros e telemetristas —especialistas que analisam os dados captados pelos sensores dos carros durante as competições.

"Como estamos profissionalizando todas as categorias do grupo, a gente quer, cada vez mais, que esses profissionais sejam formados internamente. Isso também ajuda a reduzir o custo de running, porque com a escassez, os valores aumentam muito", explica Oliveira.

Para as próximas fases, o plano é identificar uma oportunidade favorável para um IPO (oferta pública inicial de ações) no mercado de bolsa de valores. O objetivo é alcançar R$ 500 milhões em receita e aguardar um contexto econômico mais positivo.

"É lógico que quando o país não está bem economicamente, não tem janela. Veja o exato momento agora, um monte de empresa gostaria de fazer o IPO, mas não é o momento adequado. Então provavelmente, seja a partir do ano que vem, eu diria 2027, 2028, melhor ainda, serão os momentos adequados para isso."

Com Gabriel Bortoleto como referência internacional, Oliveira também não afasta a possibilidade de expandir a holding brasileira para outras nações da América do Sul e, eventualmente, para a Europa. Esse movimento, segundo o executivo, depende da abertura do capital.

RAIO-X | GRUPO VELOCI Fundação: 2020 Empresas controladas: Vicar Promoções Desportivas (promotora de eventos) e Audace Tech (braço de tecnologia do grupo) Categorias: Stock Pro Series (criada em 1979), Stock Light, Fórmula 4 Brasil, TCR Brasil, TCR South America e Turismo Nacional Faturamento: R$ 180 milhões em 2025 e projeção de R$ 230 milhões em 2026 Concorrentes: Nascar Brasil, Porsche Cup Brasil, Copa Truck, Ultimate Drift (em processo de aquisição)

Com informações de UOL e Folha de S.Paulo.

Fontes

Com informações de

  • UOL — Chefe da Stock Car, pai de Bortoleto quer transformar corridas em plataforma de negóciosc-level.folha.uol.com.br
  • Folha de S.Paulo — Chefe da Stock Car, pai de Bortoleto quer transformar corridas em plataforma de negóciosredir.folha.com.br
  • Folha de S.Paulo — Chefe da Stock Car, pai de Bortoleto quer transformar corridas em plataforma de negóciosredir.folha.com.br

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