Ansiedade social em estudantes: sinais silenciosos e caminhos para superar
A ansiedade social afeta até 12% das pessoas e torna-se especialmente crítica em ambientes universitários, onde o isolamento piora com o uso de tecnologia.

A prevalência da ansiedade social entre universitários
A experiência de sentir desconforto ao conhecer novas pessoas é comum, mas quando a ansiedade social passa a determinar as escolhas e limita a participação em atividades cotidianas, ela deixa de ser uma simples timidez. Estudantes universitários enfrentam essa realidade em proporção significativa, com pesquisadores apontando que o problema se intensifica no contexto acadêmico atual.
Durante a adolescência, Mary, nome fictício, começou a experimentar intenso desconforto em interações sociais. A situação evoluiu para quadro depressivo grave, levando-a a se afastar dos estudos temporariamente para receber tratamento.
Ao ingressar na universidade, sua relutância em participar de atividades em grupo tornou-se praticamente total. A própria Mary relata: "Eu não entrava em clubes e sociedades, como faziam os outros. Eu simplesmente achava que ninguém iria querer me conhecer. Eu realmente não fiz um único amigo durante toda a minha graduação."
O diagnóstico de Mary enquadrou-se no transtorno de ansiedade social, condição clínica que acomete até 12% das pessoas em alguma fase da vida. Embora esse percentual seja relevante, relatos de profissionais indicam que muitos indivíduos enfrentam desafios ainda mais severos, motivando especialistas a oferecer orientações práticas.
Uma pesquisa conduzida pela University of Chichester, no Reino Unido, documentou que superior a 20% dos alunos universitários vivenciam alguma manifestação de ansiedade social ao longo de seus cursos. O estudo identificou correlações entre essa condição e queda no desempenho acadêmico, dificuldades em manter relacionamentos e sentimentos crescentes de isolamento.
Para grande parte dos estudantes, a universidade marca o primeiro momento em que se veem longe de casa, carregando consigo a expectativa social de que estabeleçam amizades rapidamente. Mary cursou a Universidade de Exeter, no Reino Unido, e descreveu sua tentativa de se integrar: "Quando cheguei lá, visitei uma sociedade, mas todos estavam conversando entre si e um medo súbito me atingiu. Senti que não iria me encaixar e fui para casa."
Reconhecendo os sinais e sintomas
Atualmente com 25 anos, Mary relata sua experiência de ansiedade social como algo semelhante a um desprendimento de si mesma. Quando interagia com desconhecidos, percebia calor intenso subindo ao rosto enquanto suas mãos formigavam desconfortavelmente. Em suas palavras: "Eu me sentia quase me separando do corpo. Eu esquecia como formar palavras."
Após participar de situações sociais, Mary frequentemente sentia-se tomada por vergonha profunda, imaginando ter cometido algo deplorável e questionando se havia algo intrinsecamente defeituoso em sua personalidade. "Depois de passar por situações sociais, muitas vezes, eu ficava com a sensação de que havia feito algo horrível, uma sensação de vergonha que me consumia. Ficava pensando que havia algo de fundamentalmente errado em mim."
Neil Greening, presidente da Aliança para a Ansiedade Social do Reino Unido, identifica essa autoacusação como marca característica do transtorno. Segundo ele: "As pessoas acham que têm falhas de personalidade. Elas internalizam isso, em vez de observar como uma condição que pode ser reconhecida e que é possível conseguir ajuda."
É importante destacar que sentir algum grau de timidez ou desconforto ao conhecer pessoas diferentes, ingressar em ambientes novos ou participar de entrevistas para emprego configura experiência relativamente normal. O transtorno manifesta-se quando esses sentimentos impedem concretamente que o indivíduo execute suas atividades e objetivos.
Em diagnósticos clínicos, esse tipo de ansiedade pode produzir efeitos debilitadores significativos, conforme ocorreu com Mary. Greening acrescenta: "Pode ser difícil admitir qualquer forma de ansiedade social em um mundo em que a extroversão e a confiança social são geralmente admiradas. Muitas pessoas tentam esconder sua ansiedade social ou adotar comportamentos de segurança."
Profissionais identificam diversos comportamentos que funcionam como sinais de ansiedade social:
- Manter-se em silêncio durante interações
- Oferecer respostas breves e monossilábicas
- Buscar o celular como mecanismo de esquiva
- Posicionar-se próximo a uma única pessoa ou na periferia dos grupos
- Limitar conversas a tópicos considerados neutros, como questões laborais
Greening ressalta que há indicadores de crescimento na prevalência da ansiedade social. De acordo com suas observações, o incremento no uso de celulares inteligentes e a normalização do trabalho remoto contribuem para diminuir oportunidades de interação presencial e elevar os índices de ansiedade registrados nos consultórios.
Estratégias para lidar com a condição
Mary continuou sua trajetória acadêmica e iniciou especialização em nível de pós-graduação. Hoje, consegue gerenciar sua ansiedade social com muito maior eficiência do que no passado.
Após completar sua graduação, Mary acessou suporte oferecido pelo NHS, sistema nacional de saúde britânico, iniciando um processo de terapia cognitivo-comportamental, conhecida como TCC. Essa abordagem é amplamente reconhecida como referência no tratamento de ansiedade social, pois estimula os pacientes a reconstruir seus padrões de pensamento e modificar respostas comportamentais subjacentes.
David Clark, psicólogo e docente na Universidade de Oxford, no Reino Unido, desejaria que mais indivíduos buscassem acompanhamento profissional. No entanto, ele sublinha que as pessoas dispõem de recursos pessoais para iniciar melhorias por conta própria.
O primeiro passo, conforme Clark orienta, consiste em interromper a concentração excessiva dirigida para si próprio. "As pessoas com ansiedade social costumam se monitorar constantemente durante situações sociais", exemplifica Clark. "'Estou ficando vermelho? Pareço idiota? Pareço nervoso?'" Ele recomenda: "Concentre-se no lado externo, na conversa, na outra pessoa ou no seu ambiente."
Clark enfatiza também a importância de colocar à prova os medos através de atividades comportamentais deliberadas, como formular perguntas em reuniões ou fazer comentários em grupos para observar as consequências reais. "As pessoas com ansiedade social, muitas vezes, pressupõem resultados negativos — que elas ficarão constrangidas ou que os demais irão achá-las chatas", prossegue ele. "Testar isso pode ajudar as pessoas a romper esta barreira. É assustador, mas realmente pode ajudar."
Uma orientação adicional de Clark diz respeito ao abandono de comportamentos de proteção, como memorizar falas, evitar contato visual ou colar-se a um acompanhante específico durante eventos. Ele alerta igualmente contra a prática de remoer eventos sociais passados: "É muito fácil distorcer o que realmente aconteceu."
Mary reconhece-se nessas orientações. "Eu costumava remoer tudo constantemente", admite ela. "Aprendi que lidar com a ansiedade social é um processo gradual. A terapia realmente me ajudou, mas houve também algo que uma amiga me disse dois anos atrás."
Recorda Mary: "Uma vez, eu disse que não queria sair com ela para encontrar seus amigos e mencionei minha falta de habilidade social. Ela respondeu que nunca havia pensado nisso a meu respeito e que eu não deveria me menosprezar. Fiquei emocionada."
Atualmente, Mary esforça-se por participar com maior frequência de atividades. "Agora, estou me forçando a me envolver mais. O que me ajuda é que, no meu curso de pós-graduação, ficamos em grupos menores, mas também entrei em um grupo de astronomia. Ainda é difícil e nem sempre tudo sai como eu gostaria, mas estou aprendendo a controlar."}],
Com informações de Terra, BBC News Brasil e Época Negócios.
Fontes
Com informações de
- Terra — Os hábitos ocultos que pioram sua ansiedade social — e como evitá-losterra.com.br
- BBC News Brasil — Os hábitos ocultos que pioram sua ansiedade social — e como evitá-losbbc.com
- Época Negócios — Os hábitos ocultos que pioram sua ansiedade social — e como evitá-losepocanegocios.globo.com
- Folha de S.Paulo — Os hábitos ocultos que pioram sua ansiedade social e como evitá-losredir.folha.com.br
- UOL — Os hábitos ocultos que pioram sua ansiedade social e como evitá-loswww1.folha.uol.com.br
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