Movimento Houthi intensifica ameaças contra a aviação saudita após ataque
Um dia após bombardear o aeroporto internacional de Riade, matando 12 pessoas e ferindo mais de 300, o movimento Houthi pró-Irã reiterou advertências contra o uso do espaço aéreo saudita, à exceção das cidades sagradas…

O conflito iemenita teve início em 2014 e, passado um ano, as forças governamentais do Iêmen que enfrentavam os houthis passaram a contar com o respaldo militar de uma aliança militar encabeçada pela Arábia Saudita.
Os houthis, grupo alinhado ao Irã, reafirmaram neste domingo (11 de outubro) a intenção de atacar o espaço aéreo saudita, um dia depois de um bombardeio contra o aeroporto internacional de Riade que resultou em 12 óbitos, incluindo um cidadão americano e um argentino, além de mais de 300 ferimentos.
O conflito iemenita teve origem em 2014 e, um ano depois, as forças governamentais iemenitas engajadas no combate contra os houthis receberam apoio militar de uma coalizão sob liderança saudita.
Ainda que não tenham assumido responsabilidade pelo bombardeio de sábado (10 de outubro), os houthis emitiram neste domingo um novo aviso direcionado a passageiros, pessoal aeroportuário e empresas de aviação para que se abstenham de utilizar o espaço aéreo saudita e os terminais do reino, com exceção dos aeroportos nas localidades sagradas para o Islã, Meca e Medina.
"Estão expostos a ataques e constituem um teatro de operações para nossas forças", comunicou Yahya Saree, porta-voz das operações militares houthis, através da plataforma X.
De acordo com a administração de aviação civil saudita, o ataque de sábado no terminal internacional Rei Khalid resultou em 12 óbitos e 309 ferimentos, embora um diplomata ocidental em Riade tenha indicado à AFP que esses números podem sofrer alterações.
"Dentre as vítimas fatais encontram-se quatro nacionais sauditas, dois de Bangladesh, um norte-americano, um egípcio, um argentino, um sírio, um palestino e um sudanês", conforme comunicado da aviação civil.
Os combatentes vinculados ao Irã reivindicaram responsabilidade por ataques direcionados ao terminal de Riade nos dias quarta e quinta-feira, que provocaram seis mortes.
A coalizão militar sob comando do reino responsabilizou os houthis pelo bombardeio de sábado, qualificando-o como "crime de guerra" e comprometendo-se a retaliar "com determinação".
Uma fonte diplomática igualmente atribuiu o ataque a um projétil houthi.
Este constituiu o ataque com maior número de vítimas fatais no reino desde agosto de 2015, quando um atentado-suicida perpetrado pelo grupo extremista Estado Islâmico causou 15 óbitos em uma mesquita localizada na base das forças especiais em Abha, localizada no extremo sul saudita.
A comunidade internacional respondeu com condenação rápida do bombardeio.
"É inaceitável", pronunciou-se o chefe de Estado americano Donald Trump na noite de sábado. Complementou informando que ponderará a participação dos Estados Unidos em futuras operações militares contra os houthis e que manterá conversa com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, autoridade máxima de fato do reino.
Aeroporto permanece fechado
"Observei pessoas feridas. Todos se apressavam", relatou à AFP um viajante que esperava embarcar em um voo próximo ao terminal que sofreu o ataque.
Ainda na noite de sábado, a aliança militar também noticiou a queda de um projétil nas cercanias do terminal de Dammam, situado na porção oriental do reino.
O terminal da capital saudita continuará inoperante no domingo, confirmaram à AFP dois representantes do segmento aéreo. "As atividades encontram-se interrompidas até possível comunicado de retomada", declarou um deles, mencionando danos "no radar e nos sistemas de transmissão de dados".
Várias representações diplomáticas internacionais orientaram seus quadros a evitarem o terminal durante sete dias, conforme relato de um diplomata ocidental à AFP.
Os servidores norte-americanos em atividade no reino receberão, a partir de agora, autorização necessária para ingressar nos terminais alternativos de Dammam e Jidá, procedimento já vigente para o terminal de Riade, comunicou a legação dos Estados Unidos neste domingo.
A monarquia se prepara para sediar diversos eventos neste mês, com destaque para o encontro anual dedicado a investimentos, que reúne autoridades internacionais e personalidades de relevância no universo empresarial.
"Escalada perigosa"
Na capital, as autoridades mobilizaram profissionais de saúde que foram designados a diversos estabelecimentos hospitalares.
A pasta responsável pela educação saudita determinou que instituições de ensino de Riade funcionem em regime remoto pelo período de sete dias.
Organização das Nações Unidas, Reino Unido, Alemanha, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Paquistão emitiram repúdio ao bombardeio. Ursula von der Leyen, condutora da Comissão Europeia, descreveu o ataque houthi como uma "escalada perigosa".
No território iemenita, os enfrentamentos prosseguem após a ação ofensiva dos houthis em setembro, através da qual conquistaram o domínio do Estreito de Bab al-Mandeb, no Mar Vermelho, uma rota marítima de interesse estratégico, fato que propulsionou uma reação das forças governamentais.
Autoridades militares do lado governamental informaram à AFP no sábado que as tropas iemenitas avançaram nos territórios vizinhos do estreito.
Conforme relatos de fontes militares e um representante da facção houthi, os lutadores contrários ao governo mantêm a posse da ilha de Mayun, também designada Perim, localizada no interior da passagem marítima que ganhou relevância estratégica após Teerã impor limitações à passagem de embarcações no Estreito de Ormuz, localizado no outro flanco da Península Arábica.
O canal informativo Al Masirah, afiliado aos houthis, noticiou neste domingo dois ataques empreendidos pela aviação saudita contra a zona administrativa da capital, Sanaa, dominada pela organização pró-iraniana.
Assuntos
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Com informações de Jovem Pan e Folha de S.Paulo.
Perguntas frequentes
O que causou as mortes no aeroporto de Riade?
De acordo com a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, os houthis foram responsáveis por um bombardeio contra o aeroporto internacional de Riade no sábado (10 de outubro), ocasionando 12 óbitos e ferimentos em mais de 300 pessoas, com o terminal confirmando danos nos equipamentos de radar e sistemas de comunicação.
Qual foi a resposta internacional ao ataque?
A comunidade internacional condenou rapidamente o bombardeio, incluindo declarações de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, que o chamou de 'inaceitável', além de pronunciamentos da Organização das Nações Unidas, Reino Unido, Alemanha e demais nações. Ursula von der Leyen descreveu o episódio como 'escalada perigosa'.
O que os houthis exigem com suas ameaças?
Os houthis, grupo pró-Irã no Iêmen, emitiram aviso para que passageiros, funcionários aeroportuários e companhias aéreas evitem utilizar o espaço aéreo saudita e seus terminais, com exceção apenas dos aeroportos nas cidades sagradas islâmicas de Meca e Medina, advertindo que estariam 'expostos a ataques'.
Fontes
Com informações de
- Jovem Pan — Houthis fazem nova ameaça após ataque contra aeroporto na Arábia Sauditajovempan.com.br
- Folha de S.Paulo — Aeroporto na Arábia Saudita continua fechado após ataque matar 12; houthis fazem mais ameaçasredir.folha.com.br
- UOL — Houthis fazem nova ameaça após ataque contra aeroporto na Arábia Sauditanoticias.uol.com.br
- UOL — Aeroporto na Arábia Saudita continua fechado após ataque matar 12; houthis fazem mais ameaçaswww1.folha.uol.com.br
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