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Natura avalia R$ 584 mi em risco climático na Amazônia e reforça

A Natura identifica vulnerabilidades em sua cadeia de suprimentos amazônica e apresenta primeiro relatório sobre riscos climáticos conforme padrões internacionais, enquanto amplia compromissos com sustentabilidade…

Publicado em 5 min de leitura
Produtos de beleza e ingredientes naturais da Amazônia utilizados pela Natura
Foto: Reprodução/UOLVer na fonte

A Natura estima que alterações climáticas na Amazônia expõem R$ 584,2 milhões em vendas, correspondendo a 2,6% de sua receita líquida registrada em 2025.

O cálculo será apresentado nesta terça-feira em um relatório que traz à tona pontos de risco e oportunidades no campo da sustentabilidade empresarial.

Essa projeção parte de linhas de produtos que incorporam três ingredientes colhidos na floresta: castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. A companhia avalia que esses canais de fornecimento enfrentam suscetibilidade a fenômenos extremos do bioma.

"Nos três casos, constatou-se impactos históricos na produtividade resultantes de variados fatores climáticos, particularmente a variação de chuvas e a falta de água no solo, bem como consequências do El Niño", consta no documento ao qual a reportagem teve acesso. O El Niño ocorre quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico sobe acima da média normal, fenômeno que costuma gerar secas intensas na Amazônia.

O documento examinou três cenários diferentes de aumento das temperaturas globais: neutralidade de carbono alcançada (1,4°C a 1,8°C), transição energética caótica (1,6°C a 2,7°C) e aquecimento intenso (2,6°C a 4,4°C). A meta estabelecida pelo Acordo de Paris, vista como inatingível, é conter o aumento termométrico em 1,5°C.

Inclusive no cenário em que a economia global chega à neutralidade de carbono, a Natura identifica alto risco no suprimento de ingredientes amazônicos em 2030. Quando projetado para 2050 com aquecimento acentuado, esse índice salta para nível muito alto. A empresa aponta que há incertezas em relação à magnitude exata dos danos financeiros.

A empresa diz implementar medidas para diminuir essa vulnerabilidade. A estratégia compreende guardar estoques de castanhas-do-Pará contra possíveis perdas nas colheitas, expandir zonas de plantio de cupuaçu com ganhos em rendimento, e colocar recursos em nova infraestrutura agroindustrial voltada ao processamento de murumuru.

Fenômenos climáticos extremos também geram alto risco em cinco instalações próprias ou ligadas à Natura, representando 42% do parque fabril. O levantamento incluiu fábricas da empresa, polos de logística e unidades de parceiros produtivos.

Temperaturas extremas e eventos tempestuosos podem comprometer de R$ 45,5 milhões a R$ 53,5 milhões em estruturas físicas sem ações defensivas no curto prazo. A Natura menciona ter assegurado R$ 6 bilhões em proteção de seguros.

"Pode ser necessário executar investimentos para fortalecer as instalações, assim como arcar com custos operacionais a fim de manter a vigência do seguro", aponta o relatório.

O custo de insumos-chave para os negócios, como óleo de palma, etanol e papel, representa também uma frente de risco. A ameaça é menor frente aos demais elementos, e a empresa menciona que não conseguiu mensurar a exposição financeira devido à dificuldade de tratamento dos dados. O gasto com esses suprimentos atingiu R$ 1,7 bilhão em 2025.

O documento que sairá nesta terça é o primeiro da Natura a adotar a estrutura internacional para apresentação de informações sobre clima, com requisitos elaborados pelo Conselho Internacional de Normas de Sustentabilidade e ajustados pelo Comitê Brasileiro de Pronunciamentos de Sustentabilidade.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) havia comunicado em 2023 que companhias com papéis listados na Bolsa de Valores brasileira, incluindo a Natura, precisariam seguir esse modelo a partir de 2027. Contudo, em maio, a CVM recuou e transformou o envio de dados em ato voluntário.

Essa reversão foi parar nos tribunais do Rio de Janeiro mediante ação civil pública solicitando que a obrigatoriedade volte a valer.

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"Vemos a transparência e a incorporação de sustentabilidade nas decisões financeiras como ferramentas mais eficazes para impulsionar a mudança para uma economia de caráter regenerativo, assegurando a continuidade dos empreendimentos em um contexto global cada vez mais complexo e exigente", declara Silvia Vilas Boas, diretora financeira da Natura.

Conforme Vilas Boas, apresentar de que forma o clima interfere nas atividades é um chamado para o setor empresarial como um todo evoluir. "É um processo de evolução permanente e aquisição de saberes, em que não precisamos estar completamente preparados para começar a fazer mudanças. Isso precisa ser comunicado entre as corporações e os órgãos reguladores."

Lojas Renner e Vale foram as primeiras empresas com ações em bolsa a divulgar relatórios seguindo as novas normas.

A varejista aponta que ondas de calor e alagamentos provocarão exposição de R$ 116 milhões a 135 milhões no caixa nos próximos dez anos, pela redução de vendas de roupas pesadas durante invernos mais quentes e pelo risco de locais de vendas aos enchentes, de acordo com relatório lançado em julho. Porém, o comércio de itens de moda sustentável e o aproveitamento de energia de fonte renovável podem proporcionar ganhos de R$ 398 milhões a R$ 462 milhões ao longo da próxima década.

A companhia de mineração sinaliza que emissões de poluentes gasosos acima dos limites autorizados no mercado regulamentado de carbono poderão importar até R$ 22 bilhões para os caixas da empresa a partir de 2030, conforme o documento divulgado em junho. Produtos menos poluentes surgem como potencialidades.

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Há pouco, a Natura informou a emissão de seus primeiros papéis de endividamento verde, os denominados nature bonds, totalizando R$ 700 milhões. Tais títulos foram conectados a compromissos de consumo de plástico com menor impacto ambiental nas embalagens dos ramos Natura e Avon. O banco UBS BB administrou a negociação.

De acordo com Vilas Boas, os títulos abrangem duas medidas: plástico reciclado e plástico fabricado com recursos de origem renovável, para diminuir a dependência de fontes fósseis.

A operação vincula os papéis à meta de atingir 43% de plástico de baixo impacto em 2028 e 46% em 2029. Em 2022, o percentual ficou em 21%. O cálculo leva em conta o montante inteiro de plástico utilizado na produção das embalagens.

"Por meio dessa operação recente, 65% das emissões da empresa passam a ser associadas a critérios de natureza socioambiental, como componente do objetivo de chegar a 100%", informa Vilas Boas.

Com informações de UOL.

Perguntas frequentes

O que é um nature bond?

São títulos de dívida verde emitidos pela Natura no valor de R$ 700 milhões, atrelados a metas de uso de plástico mais sustentável em embalagens das marcas Natura e Avon, objetivando alcançar 43% de plástico sustentável em 2028 e 46% em 2029.

Quais ingredientes amazônicos estão em risco climático?

Castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru. A Natura calcula que as cadeias de suprimento dessas matérias-primas são vulneráveis a eventos climáticos extremos, particularmente variações de chuva, estresse hídrico e efeitos do El Niño.

Por que a CVM retirou a obrigatoriedade de divulgação de dados climáticos?

Não é explicado no relatório. A CVM havia determinado em 2023 que empresas com ações na Bolsa seguiriam esse padrão a partir de 2027, mas em maio retirou a exigência e tornou a divulgação voluntária, gerando uma ação civil pública que busca restabelecer a obrigatoriedade.

Fontes

Com informações de

  • UOL — Natura diz que mudança climática na amazônia põe em risco 2,6% da receita líquidac-level.folha.uol.com.br
  • Folha de S.Paulo — Natura diz que mudança climática na amazônia põe em risco 2,6% da receita líquidaredir.folha.com.br

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