Eleito em Minas, Cleitinho promete secretariado técnico e diálogo direto
O governador eleito de Minas Gerais anunciou que não privatizará a Cemig, vai usar seus lucros para subsidiar energia e abrirá o secretariado a rivais políticos.

Eleito ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo rejeitou a privatização da Cemig e propôs aplicar os ganhos da estatal no subsídio de tarifas de eletricidade à população. O futuro mandatário anunciou que iniciará esta semana a organização de uma equipe de governo orientada por critérios técnicos, acolhendo inclusive antigos concorrentes como Flávio Roscoe. Em seguida, Cleitinho declarou que procurará estabelecer contato imediato com o futuro presidente eleito do país, seja Lula ou Flávio Bolsonaro, na busca de parcerias federais que enderecem a dívida de Minas, além de necessidades em saúde e infraestrutura viária.
Em entrevista à Globo nesta segunda-feira (5 de outubro), Cleitinho Azevedo, dos Republicanos, descartou qualquer privatização da Cemig e argumentou que a receita gerada pela empresa deveria ser direcionada para aliviar o ônus da tarifa de energia paga pelo consumidor. Naquela ocasião, comentou que colocará em discussão ao longo desta semana os detalhes da montagem do seu secretariado, criou aberturas para receber nomes de concorrentes na administração futura e reiterou sua intenção de buscar o presidente eleito—Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou Flávio Bolsonaro (PL)—para encaminhar assuntos pertinentes ao Estado.
Ao abordar a situação futura da Cemig, Cleitinho sustentou que a empresa possui resultado positivo e censurou o aproveitamento de companhias estatais em transações de natureza política. "Por que não pega o dinheiro que sobra da Cemig e vai subsidiar a conta de energia da população, já que ela está ali para servir o Estado? Não tem que pegar uma estatal que dá lucro e fazer barganha com ela. Isso eu não vou fazer", declarou. Prosseguindo, ressaltou que a Cemig constitui "um patrimônio do Estado e será muito bem cuidada".
A estruturação do primeiro escalão administrativo será iniciada nesta semana conforme Cleitinho afirmou. O futuro governador informou sua intenção de construir uma equipe técnica, porém sinalizou abertura para acolher nomes indicados pelas legendas, contanto que apresentem qualificação comprovada para suas funções. "Vou ter que conversar com todos os partidos. Desde que tenha currículo, desde que o indicado seja uma pessoa competente, eu não vejo problema nenhum. O que eu não vou fazer é barganha com o secretariado, inclusive com as estatais", afirmou.
O governador eleito também deixou aberta a possibilidade de que antigos rivais integrem sua próxima administração. Ao referir-se a Flávio Roscoe (PL), que terminou a disputa estadual em terceiro lugar, mencionou explicitamente a eventualidade de o convidar para o cargo de secretário. "A gente tem um alinhamento muito parecido. Eu posso sentar com ele agora e fazer um convite para fazer parte do meu secretariado. O Flávio Roscoe é um cara extremamente competente", expressou.
Cleitinho também comentou sobre o período de transição com o atual ocupante do cargo, Mateus Simões (PSD), ressalvando que deseja dar prosseguimento às ações do governo vigente que considere bem implementadas. "O que for bom do governo, eu dou continuidade. O que eu achar que preciso melhorar, eu tenho que melhorar", declarou. De acordo com seu relato, comunicações foram direcionadas aos demais candidatos após os resultados eleitorais e os contatos já estão em andamento.
Cleitinho Azevedo venceu a eleição estadual no primeiro turno com 6.321.590 votos, equivalente a 55,40% dos sufrágios válidos. Roscoe obteve terceiro lugar com 795.193 votos, representando 6,97% do total de votos válidos.
Na dimensão de sua relação com as autoridades federais, o novo governador situou a manutenção de comunicação com a União como foco essencial e sustentou que essa estratégia não será determinada pelo desfecho do segundo turno presidencial. "Você não faz política pública sem fazer parceria com o governo federal. Tem muita coisa aqui que é de competência do governo federal", expressou. Entre os temas que Cleitinho pretende levar às conversas com o governo que se formar constam a questão da dívida estadual, além de políticas em saúde e manutenção de estradas.

"Que seja o Flávio Bolsonaro, que seja o Lula, minha primeira ação como governador do Estado é ligar para o presidente eleito, para a gente falar sobre Minas Gerais", afirmou. Segundo o futuro mandatário mineiro, "Tem muita coisa aqui que é de competência do governo federal. E a gente vai dialogar e conversar."
Fontes
Com informações de
- Terra — Cleitinho descarta privatizar Cemig e promete diálogo com Lula ou Flávio em governoterra.com.br
- InfoMoney — Cleitinho descarta privatizar Cemig e promete diálogo com Lula ou Flávio em governoinfomoney.com.br
- R7 — Cleitinho descarta privatizar Cemig e promete diálogo com Lula ou Flávio em governonoticias.r7.com
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