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Vinícolas urbanas levam a produção de vinho para dentro de São Paulo

Espaços em Pinheiros e Morumbi recebem uvas da Serra Gaúcha, da Mantiqueira e do Vale do São Francisco e fazem fermentação, envelhecimento e engarrafamento na capital paulista.

Publicado em 4 min de leitura
Tanques de inox e barris em uma vinícola urbana instalada em galpão na cidade
Foto: Reprodução/EstadãoVer na fonte

A produção de vinho ganhou endereço dentro de São Paulo. Em reportagem publicada neste domingo (4/10), o Estadão descreve o funcionamento de vinícolas urbanas instaladas em bairros como Pinheiros e Morumbi, que recebem uvas colhidas em diferentes regiões do país e concluem na capital todas as etapas de vinificação. O modelo aproxima o consumidor paulistano de um processo que, tradicionalmente, só podia ser visto em propriedades rurais.

Segundo o Estadão, as vinícolas urbanas da capital separam a etapa agrícola da etapa industrial e artesanal: o cultivo das videiras acontece no campo, enquanto esmagamento, fermentação, envelhecimento e engarrafamento são feitos dentro da cidade. A informação consta de material da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo citado pela publicação.

A presença de vinícolas na cidade, as chamadas
A presença de vinícolas na cidade, as chamadas · Foto: Reprodução/Estadão · Ver na fonte

As uvas processadas vêm de regiões produtoras espalhadas pelo Brasil, entre elas a Mantiqueira, o Vale do São Francisco e a Serra Gaúcha, entre outras. Isso permite que um mesmo endereço urbano trabalhe com matérias-primas de climas e altitudes distintos ao longo do ano.

Em Pinheiros, a Vinícola Urbana opera como centro de produção durante a semana e passa a funcionar como bar de vinhos a partir de quinta-feira, de acordo com a mesma fonte. O espaço é conduzido pelo enólogo Daniel Colli, que, segundo o Estadão, trocou a carreira de economista na França pela enologia e mantém vinhedos próprios em Cunha, no interior paulista. Um dos rótulos vinificados ali, o Pillar Branco, recebeu 94 pontos da revista britânica Decanter.

No Morumbi, a Vinícola Urbana Alma Gêmea foi criada pelo casal Gabriel e Gabriela Campolongo, que migraram da área de saúde para a produção de vinho depois de formações em viticultura e enologia, informa a reportagem.

Como funciona uma vinícola urbana

Tanques de inox e barris em uma vinícola urbana instalada em galpão na cidade
Tanques de inox e barris em uma vinícola urbana instalada em galpão na cidade · Foto: Reprodução/Estadão · Ver na fonte

O termo descreve um empreendimento que não planta uvas, mas faz todo o restante do trabalho dentro do perímetro da cidade. A uva chega colhida de regiões produtoras e segue direto para os tanques. É o oposto do arranjo clássico, em que vinhedo e cantina ficam lado a lado na zona rural.

A sommelière Patrícia Brentzel afirmou ao Estadão que esses espaços precisam atender às mesmas exigências técnicas de uma operação no campo, como controle de higiene e de temperatura, pé-direito adequado, drenagem eficiente e tanques de inox limpos. Ou seja, estar em um galpão urbano não reduz as obrigações sanitárias e enológicas.

O formato também não é invenção paulistana. Conforme a reportagem, iniciativas de cidades como Nova York, Londres e Paris — caso da Brooklyn Winery, da London Cru e da Les Vignerons Parisiens, entre outras — serviram de inspiração para os projetos brasileiros.

Na Alma Gêmea, segundo o Estadão, há ainda a Escola do Vinhateiro, em que entusiastas acompanham a evolução de uma safra por meses e participam de decisões enológicas. A casa também mantém o Projeto Selene, estudo prático em que parte dos espumantes amadurece na adega do Morumbi e outra parte fica submersa no mar, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, para comparação sensorial posterior.

Para quem mora na capital ou na região metropolitana, a principal mudança é de acesso. Visitar uma produção em atividade deixa de exigir viagem a uma região vinícola e passa a caber em um deslocamento urbano.

Há também um efeito de calendário. De acordo com a reportagem, o modelo urbano permite enoturismo durante todo o ano, enquanto as operações rurais concentram a visitação principalmente nos meses de colheita. Isso abre espaço para cursos, degustações e acompanhamento de safras fora da alta temporada.

O ponto de vista de quem produz é que a escala menor favorece o cuidado manual. "Vinho é comida, é convivência e é uma experiência única. A Vinícola Urbana serve exatamente para isso", disse Daniel Colli ao Estadão.

Quem quiser conhecer o formato pode acompanhar a agenda dos dois endereços citados pela reportagem: a Vinícola Urbana, em Pinheiros, que abre como bar de vinhos a partir de quinta-feira, e a Alma Gêmea, no Morumbi, com atividades educacionais de duração mais longa, como a Escola do Vinhateiro.

Outro ponto a acompanhar é o resultado do Projeto Selene, já que a comparação entre os espumantes envelhecidos na adega e os submersos no mar depende da conclusão do período de maturação. A reportagem não detalha quando essa avaliação será divulgada.

Com informações de Estadão.

Perguntas frequentes

O que é uma vinícola urbana?

É um empreendimento que não cultiva videiras, mas recebe uvas colhidas em regiões produtoras e realiza dentro da cidade as etapas de esmagamento, fermentação, envelhecimento e engarrafamento, segundo material da Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo citado pelo Estadão.

De onde vêm as uvas usadas nas vinícolas urbanas de São Paulo?

Conforme o Estadão, as uvas chegam de diferentes regiões do Brasil, entre elas a Serra Gaúcha, a Mantiqueira e o Vale do São Francisco.

Dá para visitar esses espaços fora da época de colheita?

Sim. De acordo com a reportagem, o modelo urbano permite enoturismo o ano inteiro, ao contrário das operações rurais, que concentram a visitação nos meses de colheita.

Fontes

Com informações de

  • Estadão — Vinícolas urbanas: longe dos campos rurais, espaços em Pinheiros e Morumbi recebem uvas de todo Paísestadao.com.br

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